O Cantar de Roldão




A Chanson de Roland é consensualmente o mais belo e antigo dos cantares de gesta, considerado, por muitos especialistas, a obra inaugural da literatura românica medieval. É um poema épico composto no século XI em anglo-normando, que teve enorme influência na Idade Média, inspirando muitas outras obras sobre o tema por toda a Europa. Apesar de a obra ser pouco difundida no Brasil, a matéria carolíngia alcança o nosso imaginário popular nas páginas da História de Carlos Magno e os Doze Pares de França – um dos “cinco livros do povo”, segundo identificou Luís da Câmara Cascudo.
Na biblioteca de Oxford, inventariado como fundo Digby 23b, preserva-se o manuscrito em pergaminho com a mais completa e antiga versão da Chanson de Roland, material que serviu de base arqueológica para a composição do Cantar de Roldão, agora em pré-venda na coleção Clássicos Comentados pela Ateliê Editorial em coedição com a Edufu.
A Tradução e a Performance
A tradução dos 4002 versos está apresentada em versos decassílabos assonantados e em ritmo de martelo agalopado, mesclando a tradição oral românica medieval com a dos cantadores nordestinos. O resultado dessa proposta confere à leitura um evidente valor poético que pode ser plasmado em recitação, canto ou performance. Desse modo, a heroica batalha de Carlos Magno, com Roldão e Oliveiros contra os sarracenos, ocorrida nos Pirineus Navarros em 15 de agosto do ano 778 é hoje possível de ser escutada como já o faziam os ouvintes dos jograis do século X na Europa românica medieval. Na performance do grupo Gesta, a execução das 4 partes do cantar utiliza a técnica de “contrafacta” – uma melodia pré-existente que se encaixa na forma poética e uma melodia-tipo extraída do repertório mariano do Rei Sábio Alfonso X.